Make Portugal Great Again (MPGA)
É uma hipótese que, a qualquer português de bom senso, arrancará um sorriso condescendente.
Make Portugal Great Again significaria um recuo de seiscentos anos, até às caravelas e ao Império. Já o Make America Great Again propõe regressar a um passado de há apenas um século.
A diferença é gritante: por que razão um povo acredita poder retroceder cem anos, enquanto o outro sorri perante a ideia de recuar seiscentos?
A resposta reside na ilusão sobre a variável mais implacável da existência: o Tempo. Ele é extraordinário precisamente por ser unidirecional; o tempo só sabe marchar para a frente.
Apenas uma mente perturbada poderia propor a uma nação regressar ao passado.
Mas há algo pior: o facto de a maioria desse povo escolher acreditar na miragem.
E o que torna tudo ainda mais desconcertante é que este país — este povo — continua a ser a potência hegemónica do planeta.
Militarmente, tecnologicamente e em termos de PIB, os EUA estão num patamar isolado onde, a curto prazo, ninguém o alcança.
Esta pujança factual reduz o slogan MAGA ao vazio absoluto.
A América não precisa de "voltar" a ser grande; ela já o é.
O que se esperaria de uma liderança com tal poder seria a continuidade de um ciclo de paz, o fomento do desenvolvimento e a disseminação global da qualidade de vida que esta civilização logrou alcançar.
Jamais a inauguração de uma era baseada na chantagem militar, no apoio a autocracias, na culpabilização das vítimas e na substituição da razão óbvia pelo hiper-enriquecimento de um líder e do seu círculo de privilégio.
É difícil perdoar aos arquitetos deste caos que em nome de uma suposta grandeza nacional, justifiquem o descalabro universal.
Quem troca o progresso partilhado pelo isolacionismo autoritário não está a fazer história; está apenas a tentar, inutilmente, travar o relógio.