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domingo, 3 de maio de 2026

O fosso entre gerações.



Nascido na década de 1950, sinto que a idade não me turvou a memória. 

Recordo-me de que, na minha juventude, a Segunda Guerra Mundial me parecia um evento longínquo, quase abstrato; não a tinha vivido e, por isso, pouco me dizia. 

Todo o conhecimento que adquiri sobre o tema veio de breves lições escolares ou do cinema, sem nunca aprofundar os seus antecedentes cruciais, como o Tratado de Versalhes, a fragilidade da República de Weimar ou a ascensão democrática de Hitler.

Hoje, percebo que um jovem absorve, fundamentalmente, a realidade da sua própria geração, mostrando pouco interesse pelo passado, mesmo quando este esteve na origem de grandes cataclismos. 

Esta constatação ajuda-me a compreender a atual adesão a fenómenos como o Chega.

As gerações mais novas não viveram os quatro anos de guerras coloniais; não sentiram o luto pelos familiares perdidos ou pelos que regressaram física e psicologicamente mutilados.

Não partilharam o desespero do "1 milhão de retornados", forçados a abandonar as vidas que tinham construído em África para enfrentar um futuro incerto. 
Não vivenciaram a instabilidade do 25 de Abril de 1974, a agitação do PREC, a crise económica que se seguiu, nem o fôlego de esperança que surgiu apenas com a entrada na CEE, em 1986.
Quem não viveu estes marcos — nomeadamente aqueles com menos de 50 anos — dificilmente terá a dimensão necessária para os compreender ou para se defender das distorções e manipulações que deles são feitas.

Qualquer força política oportunista que manipule o passado, denigra o presente e prometa um futuro ilusório, colherá frutos eleitorais fáceis. 

E assim será até que a realidade, sob a forma de desilusão, desmascare o engodo e revele a Verdade.










sexta-feira, 27 de junho de 2025

Black-out tri-geracional

 
Dividamos os humanos por grupos de 3 (três) gerações: Avô, pai, neto. (Casos há, raros, onde o bisavô existe).
Quando a transmissão do conhecimento era apenas por via oral - a prensa de Gutemberg data de 1450, marca o início do Renascimento - não havia livros ou jornais nem os mass media que se seguiram. 
O conhecimento transmitido baseava-se na experiência familiar, no básico para subsistência e em lendas.

Vivem-se hoje tempos opostos: 
O passado é baseado em factos registados e o futuro ensinado por meios inovadores muito além de qualquer âmbito, familiar ou escolar.

Existem porém, laços de confiança na palavra do pai ou do avô, insubstituíveis.

Já em relação ao bisavô, nada o liga ao bisneto. 
O passado pelo bisavô entra apenas no imaginário infantil e nebuloso do bisneto como mais uma, nas suas várias recordações: porque não o viveu, entendeu ou sofreu.

Para o neto, o conhecimento situa-se entre dois muros:  Um, a montante, o nascimento do avô e outro, a jusante, o fim da sua vida.

Devido a este espartilho imposto entre vivência sentida e história contada, a personalidade forma-se optando, quase sem excepção, apenas pela avaliação do pessoalmente sentido.

Se vive tempos de Paz tende a minimizar outros, de guerra.
Se vive tempos de abundância esquece que existiram tempos de fome.
Se vive tempos de prosperidade, esquece que antes de si outros, na sua família, imigraram para sobreviver à escassez.
Se viveu tempos de bancarrora, tende a denunciá-los.
Se viveu tempos inflaccionários, tende a recordá-los.

Entretanto, descuida decisões estratégicas que impeçam o regresso de tempos difíceis, minorizando as duras experiências da vida que até aí, o trouxeram...






A esquerda é, acreditem, corrupta!

​Estou exausto de observar como a narrativa mediática dominante — estruturalmente dependente de grandes grupos económicos e financeiros — ...