segunda-feira, 1 de junho de 2026

Ministra da saúde?


​A escolha e o apoio de Montenegro à atual líder do Ministério da Saúde — figura que transitou diretamente da direção de External Affairs e Market Access da multinacional MSD Portugal (indústria farmacêutica, entre 2006 e 2014) — levanta sérias dúvidas éticas, agravadas por uma gestão técnica já amplamente contestada. 

Estaremos perante um Ministério da tutela pública ou um bastião de interesses farmacêuticos?

Esta nomeação adensa o ceticismo gerado pela promessa de reestruturar o SNS em escassos 60 dias. 

Sem, sequer, a apresentação de um plano estruturado e transparente, assiste-se hoje ao agravamento sistémico dos serviços de saúde.


O problema, contudo, é mais profundo e corrói a nossa arquitetura constitucional:

Que qualidade democrática resta quando o incumprimento deliberado de promessas eleitorais goza de total impunidade? 

Vivemos num modelo onde o Governo, enquanto órgão executivo não eleito diretamente, pode ser preenchido por individualidades cujos passados, conflitos de interesses e escrutínio público permanecem opacos para o eleitor. 

Urge rever as regras do jogo se quisermos devolver a transparência ao sistema e resgatar a confiança na vida coletiva.








Sem comentários:

Enviar um comentário

Ministra da saúde?

​A escolha e o apoio de Montenegro à atual líder do Ministério da Saúde — figura que transitou diretamente da direção de External Affairs ...