quarta-feira, 27 de maio de 2026

Aeroporto Luís de Camões


A estimativa de custo para o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) — batizado como **Aeroporto Luís de Camões**, no Campo de Tiro de Alcochete — sofreu uma evolução e tanto nos últimos anos. Os valores foram saltando à medida que os estudos técnicos avançavam e a concessionária (ANA/Vinci) apresentava os seus relatórios oficiais ao Governo.
A evolução cronológica dos valores estimados para a infraestrutura aeroportuária pura (excluindo os acessos) desenha o seguinte cenário:

Linha Temporal das Estimativas de Custo

- Estudos Iniciais da CTI
*2023 - Maio 2024*
A Comissão Técnica Independente (CTI) apontava para um custo inicial de 6,1 mil milhões de euros para a construção de duas pistas em Alcochete, com capacidade de expansão. Quando o Governo Montenegro confirmou a decisão em maio de 2024, este era o valor base de referência.

- Relatório Inicial da ANA
*Dezembro 2024*
A ANA – Aeroportos de Portugal entregou o seu plano oficial ao Executivo, revendo substancialmente a estimativa em alta devido ao aumento do custo de mão de obra e materiais. O valor passou a fixar-se na fasquia dos 8,5 mil milhões de euros (um salto de quase 40% face ao estudo da CTI).

- O Debate do Custo de Oportunidade
*Abril 2025*
Surgiram análises macroeconómicas e debates políticos que elevaram a discussão para os 30 mil milhões de euros. 
É crucial notar que este valor não é o preço dos tijolos e pistas, mas sim uma estimativa do prejuízo ou custo global para o Estado ao aceitar prolongar a concessão à Vinci por mais 30 anos (abrindo mão de lançar um novo concurso internacional em 2062).

O que justifica esta variação?
Existem três fatores centrais que explicam por que os números parecem mudar de fisionomia conforme quem fala:

Custos de Construção Reais (8,5 mil milhões €):
É o orçamento estrito apresentado pela ANA em janeiro de 2025 para colocar o aeroporto a funcionar (previsto para meados de 2036/2037). A inflação no setor da construção civil e a escassez de mão de obra inflacionaram os 6,1 mil milhões originais.

 Modelo de Financiamento
A ANA propôs que a obra custe "zero" diretos ao Orçamento do Estado em troca do aumento das taxas aeroportuárias e da **extensão da concessão por 30 anos**.

Custos de Contexto (O "Tudo Incluído"): 
Os valores que circulam acima dos 8,5 mil milhões englobam as obras públicas complementares e obrigatórias para que o aeroporto faça sentido, como a **Terceira Travessia do Tejo (TTT)** e as ligações rodoferroviárias (Alta Velocidade), que são tuteladas pelo Estado e não pela concessionária.

domingo, 24 de maio de 2026

Recordando...



Recordo os meus tempos de liceu: durante cinco anos letivos, convivi com dois colegas homossexuais na mesma turma. 

Diariamente, nos intervalos entre aulas, cerca de quarenta alunos percorriam os longos corredores e escadarias do edifício.

​Nesses trajetos, um grupo de 'bandalhos' — hoje diríamos bullies — insultava-os com palavrões e obscenidades físicas, numa exibição de virilidade tão ruidosa quanto imbecil e frágil. 

Eu assistia a tudo com silêncio cobarde, típico dos fisicamente débeis — uma passividade que, na política, se traduz por fraqueza psicológica — embora sentisse uma irritação constante e consciente.

​Numa sociedade composta maioritariamente por pessoas como eu, penso, a comunidade homossexual encontrou na união a sua força. Felizmente, enquanto grupo, conquistaram solidariedade e respeito.

Contudo, se pretendem manter o apoio desta maioria silenciosa, deveriam evitar a atuação ostensiva como lobby social em setores como a televisão, a moda ou a diplomacia. 

Esse excesso de exposição corre o risco de reativar antigos preconceitos e de suscitar comportamentos que julgávamos ultrapassados.






domingo, 17 de maio de 2026

EUA e Trump!


​Há, desde sempre, um nevoeiro entre o país e quem o dirige.

​Assim, quando Trump fala — ele próprio o diz —, é a sua "consciência" (leio "inteligência") que determina o seu discurso. Isto é Trump, pura e simplesmente!

​Os EUA nasceram como Democracia e, ao longo de mais de 200 anos, foram os seus paladinos, apoiando causas pró-democráticas, antifascistas e anticomunistas. Foi o país que ajudou a Europa a derrotar Hitler, que susteve a União Soviética e que reergueu da destruição completa dois antigos inimigos, elevando-os aos mais altos patamares de capacidade económica: a Alemanha e o Japão que, menos de 30 anos após o fim da II Guerra Mundial, se tornaram, respetivamente, a 2.ª e a 3.ª potências económicas globais.

​Se bem que a nossa memória resgate apenas os grandes factos históricos, compreendemos facilmente que os líderes máximos dos EUA nestes feitos foram quem defendeu o que o país representa para a Democracia e para o Mundo.

​Acidentes de percurso, circunstâncias pontuais ou anomalias de personalidade não podem alterar o sentimento de reconhecimento que conservo para com o papel histórico dos EUA ao longo da minha geração. Não serão, certamente, teocracias religiosas, ditaduras militares ou o sistemático envenenamento propagandístico dos extremos políticos que me farão vacilar nas convicções que adquiri ao longo da vida.



domingo, 10 de maio de 2026

Limitações do sistema Democrático!

A Democracia sob Sequestro

​O atual estado do sistema democrático global é alarmante. A história e o presente demonstram que a urna, por si só, não é garantia de liberdade. Figuras como Hitler, Putin, Trump, Milei, Bolsonaro e Orbán partilham um traço comum: foram todos catapultados ao poder pelo voto popular.

​1. O Paradoxo da "Democracia Iliberal"

​Uma vez investidos de autoridade, estes líderes iniciaram processos sistemáticos de subversão. Onde Hitler triunfou na conversão total para a ditadura, outros testam os limites da resiliência democrática. 

É imperativo rejeitar o eufemismo académico de "democracia iliberal".

Esta contradição nos termos é uma máscara semântica: um sistema que atropela direitos individuais e liberdades civis não é uma variante da democracia; é uma ditadura em gestação.

​2. A Ilusão da Separação de Poderes

​Para que um Estado seja reconhecido internacionalmente como uma Democracia Plena, a definição e a independência dos seus órgãos de soberania devem ser absolutas. O sistema atual falha, principalmente, porque permite uma contaminação mútua entre poderes.

​A verdadeira independência exige que um órgão de soberania não dependa — nem direta, nem indiretamente — de qualquer outro. Enquanto houver cruzamento em nomeações, financiamento ou decisões, a independência é ficção jurídica. O controlo deve emanar exclusivamente da vontade popular, impedindo que um poder capture outro.

​3. O Fim do "Aprendiz de Feiticeiro"

​Chamar "Democracia" a um regime onde um único indivíduo — muitas vezes sem o respaldo direto do sufrágio universal — manobra, influencia e controla as engrenagens do Estado é uma fraude intelectual. 

É manter uma fachada que serve apenas às elites que operam as sombras do poder.

​Manter o sistema como está é deixar o povo à mercê de "aprendizes de feiticeiro" que, sob o pretexto de o representar, o conduzem ao abismo ditatorial. 

A democracia só sobrevive se for capaz de blindar as suas instituições contra aqueles que a usam apenas como degrau para o autoritarismo.



domingo, 3 de maio de 2026

O fosso entre gerações.



Nascido na década de 1950, sinto que a idade não me turvou a memória. 

Recordo-me de que, na minha juventude, a Segunda Guerra Mundial me parecia um evento longínquo, quase abstrato; não a tinha vivido e, por isso, pouco me dizia. 

Todo o conhecimento que adquiri sobre o tema veio de breves lições escolares ou do cinema, sem nunca aprofundar os seus antecedentes cruciais, como o Tratado de Versalhes, a fragilidade da República de Weimar ou a ascensão democrática de Hitler.

Hoje, percebo que um jovem absorve, fundamentalmente, a realidade da sua própria geração, mostrando pouco interesse pelo passado, mesmo quando este esteve na origem de grandes cataclismos. 

Esta constatação ajuda-me a compreender a atual adesão a fenómenos como o Chega.

As gerações mais novas não viveram os quatro anos de guerras coloniais; não sentiram o luto pelos familiares perdidos ou pelos que regressaram física e psicologicamente mutilados.

Não partilharam o desespero do "1 milhão de retornados", forçados a abandonar as vidas que tinham construído em África para enfrentar um futuro incerto. 
Não vivenciaram a instabilidade do 25 de Abril de 1974, a agitação do PREC, a crise económica que se seguiu, nem o fôlego de esperança que surgiu apenas com a entrada na CEE, em 1986.
Quem não viveu estes marcos — nomeadamente aqueles com menos de 50 anos — dificilmente terá a dimensão necessária para os compreender ou para se defender das distorções e manipulações que deles são feitas.

Qualquer força política oportunista que manipule o passado, denigra o presente e prometa um futuro ilusório, colherá frutos eleitorais fáceis. 

E assim será até que a realidade, sob a forma de desilusão, desmascare o engodo e revele a Verdade.










quarta-feira, 29 de abril de 2026

Montenegro


A análise por mim traçada sobre a figura de Luís Montenegro reflete um descontentamento profundo com o exercício da governação e com a postura ética que se exige de quem ocupa o cargo de Primeiro-Ministro

O retrato que vou apresentar é o de um dirigente cujas ações — ou a falta delas — comprometem a lisura necessária para o serviço público e para a defesa dos valores democráticos.

​Este cenário desenha um padrão preocupante:          

- Opacidade na gestão pública e privada: 

Quando se observam casos como o da construção da sua casa em Espinho e a transferência de ativos da Spinumviva para os filhos, a questão deixa de ser estritamente legal para se tornar uma questão de integridade e exemplo. 

A perceção de que o decisor político contorna a lei — nomeadamente a Lei n.º 52/2019, que visa o reforço da transparência — é corrosiva para a confiança nas instituições.

- O défice democrático no financiamento

A relutância em tornar públicos os financiadores dos partidos políticos é um obstáculo direto à transparência que, sobre redução do populismo e a moralização da política, é essencial.

Sem saber quem financia o poder, o cidadão perde a capacidade de identificar conflitos de interesse, o que alimenta o cinismo e o afastamento da vida coletiva.​

- O distanciamento da realidade laboral:

Ao avançar com uma reforma laboral que não conta com o consenso ou o apoio dos parceiros sociais, o governo ignora a concertação, pilar basilar da estabilidade económica e social, impondo uma visão unilateral que ignora as necessidades reais de quem trabalha e de quem produz.

- A falha moral na política externa:

Talvez o ponto mais grave seja a divergência em relação à posição da União Europeia. 

Num momento em que a coesão europeia é o único baluarte contra a agressão russa, a capitulação perante um regime autoritário e o seu líder, responsável por atrocidades amplamente documentadas, não é apenas um erro diplomático: é uma rutura com o compromisso humanista e democrático que Portugal assumiu perante os seus pares e a comunidade internacional. Porquê?

​Em última análise, o descrito é a antítese de uma democracia robusta. 

Uma sociedade que aspira a reduzir o populismo e impedir a corrupção depende de líderes que sejam, antes de tudo, transparentes e coerentes.

Quando a ação governativa se pauta pela opacidade, pelo desrespeito pelas normas de transparência e por uma condescendência perante a violação dos direitos humanos, o custo não é apenas político — é a erosão sensível da própria fibra moral do país.

​A exigência de transparência e de probidade não deve ser vista como uma crítica partidária, mas como um dever de cidadania ativa, indispensável para resgatar a política do descrédito e devolvê-la ao seu propósito genuíno: 

O bem comum!



sábado, 18 de abril de 2026

O ciclo do consumo...!



Desde há muito que uma questão me abana o espírito: "Se, praticamente, todos os países têm dívida, devem a quem?" ou "Quem controla economicamente o mundo?"

Eis o que consegui saber:
"A quem devem os Governos?

​A dívida pública é dividida em "pedaços" chamados Títulos do Tesouro ou Obrigações. Quem os compra é que é o credor.

Fundos de Pensões e Seguradoras: 

São os maiores donos da dívida mundial. 

Quando você desconta para a sua reforma ou paga um seguro de vida, esse dinheiro não fica parado num cofre; as empresas investem-no em dívida pública por ser considerada segura. 

Ou seja: o governo pode estar a dever-lhe a sua futura reforma.

Bancos Comerciais: Os bancos usam os depósitos dos clientes para comprar títulos do Estado. Isto ajuda-os a ter ativos que rendem juros "garantidos" 

Investidores Privados e Cidadãos Comuns: Qualquer pessoa pode comprar Certificados de Aforro ou Obrigações do Tesouro. Nestes casos, o Estado deve diretamente aos seus cidadãos.

Bancos Centrais: Nos últimos anos (especialmente desde a crise de 2008 e a pandemia), os Bancos Centrais (como o Banco de Portugal/BCE) passaram a comprar muita dívida dos seus próprios países para injetar dinheiro na economia.

Fundos Soberanos e Outros Países: Existem países que têm "dinheiro a mais" (como a China, devido às exportações, ou a Noruega e Arábia Saudita, devido ao petróleo). 

Eles compram dívida de outros países (como os EUA ou Portugal) como forma de guardar as suas poupanças.


​2. O Grande "Loop" Financeiro

​A confusão mental acontece porque pensamos na dívida pública como uma dívida entre vizinhos. 

Mas na economia global, a dívida funciona mais como um sistema de circulação sanguínea:

  1. ​O Estado pede dinheiro para construir escolas ou pagar salários.
  2. ​Um Fundo de Pensões empresta esse dinheiro.
  3. ​O Estado paga juros ao Fundo.
  4. ​O Fundo usa esses juros para pagar a reforma ao cidadão que, por sua vez, paga impostos ao Estado.

​3. Mas então, como é que todos podem estar endividados ao mesmo tempo?

​Imagine que existem 3 pessoas: A, B e C.

​A deve 10€ a B.​

B deve 10€ a C.

C deve 10€ a A. 

Todos estão endividados, mas o sistema continua a funcionar porque o dinheiro está em movimento. 

O problema só surge quando alguém deixa de acreditar que o outro vai pagar (a crise de confiança).


​Resumo: O "Dono" da Dívida

​Se somarmos tudo, cerca de 80% da dívida mundial está em mãos privadas (bancos, fundos e pessoas como eu e você). Os governos não devem uns aos outros num sistema fechado; devem ao sistema financeiro global que, por sua vez, é alimentado pelas poupanças e investimentos de todos nós.

Mas... quem ganha com a circulação da dívida? Os bancos! Ganham sempre!

Aeroporto Luís de Camões

A estimativa de custo para o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) — batizado como **Aeroporto Luís de Camões**, no Campo de Tiro de Al...