Deputados em lista, como desvio à validade democrática.
A Esquerda, da qual fiz parte, com orgulho e moralmente, de arma na mão — impulsionada, sem dúvida, pela audácia da extrema-esquerda — parece ter-se perdido pelo caminho.
Trocámos a guerra dos grandes ideais por escaramuças em "causas" de nicho, muitas vezes ditadas por conveniências de calendário eleitoral.
Esquecemos um princípio básico: as causas específicas têm o seu lugar natural na educação e sensibilização social.
Quando tentamos forçar estes interesses de grupo para o centro da política geral, o resultado é a fragmentação.
O foco no "geral" perde-se, e o preço dessa escolha é alto: paga-se com a incompreensão do eleitor, com contestação silenciosa e com abstenção.
O Erro do "Blindado" por Listas
Considerar que eleições "em lista" são suficientes para representar as várias sensibilidades em qualquer partido é um erro estratégico e democrático.
Este modelo protege o "amiguismo" e distancia o deputado do cidadão:
- O eleitor merece uma relação direta e palpável com quem o representa.
- Votar numa lista de desconhecidos, escolhidos por serem "fiéis" às direções partidárias, aniquila o sentido de responsabilidade política que um candidato deveria ter para com o seu eleitor
A Constituição Não É Obstáculo
É preciso desmontar a narrativa de que a Constituição da República Portuguesa (CRP) impõe este distanciamento.
A CRP não obriga a listas fechadas e impenetráveis.
Os partidos têm a liberdade - se o desejarem - de implementar "primárias distritais abertas" a militantes e simpatizantes para designarem OS SEUS candidatos a deputados.
O que falta não é base legal, é coragem política.
Um Caminho para a Regeneração
Para salvar a democracia do crescimento dos extremismos, precisamos de injetar transparência no sistema.
Transparência para o Cidadão:
Democracia exige que a informação flua fácil e clara, logo digerível pelos eleitores, para acompanhar as governações.
O eleitor deve ter acesso a sumários executivos claros por entidades especializadas, diversas, internacionais e - através de software auditado regularmente por entidades plurinacionais - sorteadas, reportando como os seus governantes estão a gerir o bem comum.
Este é o momento de decidir: ou reformamos o sistema para o tornar transparente e aproximar deputados do povo ou, continuaremos a alimentar a narrativa que apenas serve interesses a quem quer destruir - com aproveitamento pessoal - a democracia por dentro.