domingo, 22 de março de 2026

Ideais versus causas. A crise da Democracia.

​Deputados em lista, como desvio à validade democrática.

​A Esquerda, da qual fiz parte, com orgulho e moralmente, de arma na mão — impulsionada, sem dúvida, pela audácia da extrema-esquerda — parece ter-se perdido pelo caminho.

Trocámos a guerra dos grandes ideais por escaramuças em "causas" de nicho, muitas vezes ditadas por conveniências de calendário eleitoral.

​Esquecemos um princípio básico: as causas específicas têm o seu lugar natural na educação e sensibilização social

Quando tentamos forçar estes interesses de grupo para o centro da política geral, o resultado é a fragmentação. 

O foco no "geral" perde-se, e o preço dessa escolha é alto: paga-se com a incompreensão do eleitor, com contestação silenciosa e com abstenção.


​O Erro do "Blindado" por Listas

​Considerar que eleições "em lista" são suficientes para representar as várias sensibilidades em qualquer partido é um erro estratégico e democrático. 

Este modelo protege o "amiguismo" e distancia o deputado do cidadão:

  • ​O eleitor merece uma relação direta e palpável com quem o representa.
  • ​Votar numa lista de desconhecidos, escolhidos por serem "fiéis" às direções partidárias, aniquila o sentido de responsabilidade política que um candidato deveria ter para com o seu eleitor

​A Constituição Não É Obstáculo

​É preciso desmontar a narrativa de que a Constituição da República Portuguesa (CRP) impõe este distanciamento. 

A CRP não obriga a listas fechadas e impenetráveis. 

Os partidos têm a liberdade - se o desejarem - de implementar "primárias distritais abertas" a militantes e simpatizantes para designarem OS SEUS candidatos a deputados.

O que falta não é base legal, é coragem política.


​Um Caminho para a Regeneração

​Para salvar a democracia do crescimento dos extremismos, precisamos de injetar transparência no sistema.

Transparência para o Cidadão: 

Democracia exige que a informação flua fácil e clara, logo digerível pelos eleitores, para acompanhar as governações.

O eleitor deve ter acesso a sumários executivos claros por entidades especializadas, diversas, internacionais e - através de software auditado regularmente por entidades plurinacionais - sorteadasreportando como os seus governantes estão a gerir o bem comum.

​Este é o momento de decidir: ou reformamos o sistema para o tornar transparente e aproximar deputados do povo ou, continuaremos a alimentar a narrativa que apenas serve interesses a quem quer destruir - com aproveitamento pessoal - a democracia por dentro.

REPASSE ESTAS NECESSÁRIAS ALTERAÇÕES AO SISTEMA DEMOCRÁTICO ATUAL! 

O FUTURO LHE AGRADECERÁ!

quarta-feira, 18 de março de 2026

Onde se vive melhor...


... este é o critério único que, em minha opinião, deve servir para comparar os sistemas políticos vigentes - há mais de vinte anos - entre países.

Um país onde os direitos humanos, a educação, a saúde, a segurança, a aposentação são assegurados pelo estado, onde o rendimento per capita se encontra na media mundial, será o meu favorito.

Terá sido uma das maiores surpresas da vida de Trump quando os groenlandeses, repudiaram a cidadania do país mais poderoso do mundo que era oferecida.

Ficámos a entender que nenhum groenlandês troca a sua qualidade de vida por aquela que o país militarmente mais forte do mundo, se preocupa em dar aos seus cidadãos.

Nem ninguém trocaria...








domingo, 15 de março de 2026

Cleptocracia. Conhece caso semelhante?


Cleptocracia: O Estado a ser pilhado!

​Numa cleptocracia, os governantes tratam o tesouro público como a sua conta bancária pessoal. 

É um regime de corrupção institucionalizada onde a prioridade não é governar, mas sim extrair o máximo de riqueza possível do país.

Risco Económico: 

Leva, invariavelmente, ao défice excessivo, ao empobrecimento da população e ao colapso dos serviços públicos, já que o dinheiro destinado a hospitais e escolas acaba em contas offshore.

​A Necessidade de Controlo

​Para evitar que uma democracia se transforme em qualquer um destes cenários, a vigilância sobre os gastos públicos é fundamental. A proteção do interesse público exige sempre:

Auditorias Internacionais e Sorteadas:

Para garantir a independência, os auditores não devem ter ligações nem depedências políticas e a sua seleção deve ser aleatória, sigilosa, efectuada por sistema informático​.

Transparência Total: 

Disponibilização de sumários executivos claros em linguagem acessível, para que o eleitor possa fiscalizar onde cada euro é investido.


Responsabilidade Orçamental: 

Regras rígidas contra o endividamento descontrolado, que muitas vezes serve apenas para alimentar redes de clientelismo.

​Sem mecanismos de fiscalização externa, independente da política nacional e por sistema informático fechado regularmente auditado, o risco de o poder se fechar em si mesmo — seja para proteger fortunas ou para as criar ilegalmente — tem sido e é uma ameaça constante à soberania do povo.


quinta-feira, 12 de março de 2026

Cinismo internacional.

​​

O Paradoxo Teocrático 

O Caso do Irão

​Existe um cinismo jurídico no embate entre democracias e o regime do Irão. É um facto reconhecido que o Irão opera como uma teocracia cujos moldes remontam à Baixa Idade Média.

​Surge então a questão central: 

Como pode o Direito Internacional, criado para proteger e fomentar sistemas democráticos, ser usado como escudo para proteger regimes que declaradamente procuram a aniquilação dessas mesmas democracias?

​Não é coerente utilizar as leis do século XXI para salvaguardar um regime que:

  • ​Desrespeita sistematicamente os Direitos Humanos.
  • ​Submete as mulheres a leis opressivas (proibição de circular sem companhia ou falar alto em público).
  • ​Rejeita a transparência e o escrutínio internacional.

​Uma Visão Estratégica

​O Direito Internacional não pode servir para defender "dinossaurias" ideológicas ou regimes criminosos.

 Como democratas, devemos exigir que todas as intervenções e gastos públicos sejam transparentes e auditados. 

A paz duradoura só será alcançada quando o Direito Internacional for aplicado com rigor e consequências visíveis, sem exceções para superpotências, mas também sem complacência para com tiranias teocráticas.


terça-feira, 10 de março de 2026

Japão e Irão...

Para que se não esqueça e considere:

A História diz-nos que o Japão em 1942 era uma potência militarista  agressiva, mantendo hábitos medievais onde o Imperador era visto como uma divindade, e que ocupou cidades como Pequim e Xangai.

​A 6 e 9 de agosto de 1945, a administração Truman, após ser informada de que uma invasão terrestre no arquipélago japonês custaria a vida a cerca de um milhão de soldados americanos (estimativas da Operação Downfall), ordenou o lançamento de duas bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasáqui. 

O impacto causou a morte de aproximadamente 200.000 a 400.000 pessoas (entre efeitos imediatos e posteriores), incluindo militares e civis.

O Japão rendeu-se sem condições. Iniciou então, e mantém até hoje, um sistema democrático.

​Três décadas após 1945, o Japão e a Alemanha — beneficiando do Plano Marshall na Europa e de investimentos equivalentes no Pacífico — emergiram como segunda e terceira potências económicas mundiais, logo após os EUA. 

Nem a Alemanha nem o Japão foram posteriormente esmagados por genocídios ou excluídos da ordem internacional; pelo contrário, foram completamente integrados no bloco democrático. 

Em resposta, nunca se registaram, por parte destas nações, atos de terrorismo ou escaramuças contra os EUA.

​Estas evidências históricas levam-me a concluir que apenas uma demonstração de força verdadeiramente impressionante poderá, no presente, dominar civilizações ainda presas por ditadores ou teocratas que - para proveito próprio - incutem e aterrorisam as populações que dominam, com místicas e ações próprias da Baixa Idade Média, em pleno no século XXI.

A mentalidade aburguesada, pacifista, de amor extremo e incondicional pelas tenras idades promovidos - e bem -pelos sistemas políticos democráticos, tornaram-se fragilidades aproveitadas pelos seus inimigos para os inibir de responder a ataques hediondos, sem gota de humanidade, que estes regularmente, cometem.

Como evitar que tal continue ou se agrave?






domingo, 8 de março de 2026

Irão e Rússia...

É interessante ver o apoio que o Irão de Khamenei I deu à “operação militar especial”: milhares de drones Shaed são, ainda, uma grande arma russa para manter, diariamente, o terror que mantém sobre a Ucrânia há quatro anos.
No momento que o Irão precisa de Putin, responde-lhe o silêncio, a indiferença, a cobardia!

Como aconteceu na Venezuela, em Cuba, na Síria...

O estrondosamente falhado Putin, um dos raros amigos de Kim Jong-il, mantém o poder interno a qualquer preço, enquanto globalmente vai desaparecendo.

Para cúmulo, a desprezada pelos EUA, Ucrânia, oferece a estes a sua experiência em neutralizar Shaeds, pelos sucessos no campo de batalha obtidos contra esses drones, enviados por Putin.

Tal como Estaline, quando a coisa aquece Putin desaparece!





segunda-feira, 2 de março de 2026

NÃO À REGIONALIZAÇÃO !!!



​Votei a favor da regionalizaçãbo em 1998, mas os acontecimentos na Catalunha, entre 2014 e 2017, deram-me um "banho de realidade". Sem qualquer fundamento jurídico plausível e com base num referendo local que contou com apenas 49% de participação, declarou-se uma independência unilateral.

​O processo autonómico catalão começou pela promoção da língua e de símbolos identitários, mas rapidamente derivou para uma narrativa de superioridade económica, usando o elevado PIB da região como justificativa para o isolamento. Na verdade, o que vimos foi a ambição de uma elite que pretendia o controlo absoluto de um orçamento, ignorando o todo nacional e abrindo portas a influências externas perigosas.

​Como se não bastasse, a investigação do "Caso Voloh" expôs a suposta interferência russa, cuja tese principal sugere que o Kremlin utilizou a crise catalã para desestabilizar a União Europeia através de:

  • Oferta de Tropas e Financiamento: Investigações judiciais indicam que, na véspera da declaração de 2017, emissários russos teriam oferecido a Carles Puigdemont o envio de 10 mil soldados e o pagamento da dívida pública catalã — oferta que terá sido recusada por ser irrealista.
  • Desinformação e Redes de Bots: O uso de meios estatais (RT e Sputnik) para amplificar narrativas separatistas, tentando pintar a democracia espanhola como um "Estado autoritário".
  • Geopolítica de Moscovo: Para Putin, o caos em Espanha enfraqueceria a coesão da NATO e da UE, servindo de retaliação pelas sanções impostas após a anexação da Crimeia.

​A lição que retirei é clara: uma "independência" que visa enriquecer alguns, transformando os cidadãos em peões de interesses alheios sem qualquer vantagem real, é um erro histórico.

Portugal não necessita de regionalização, nem de mais despesa para sustentar "poleiros" políticos.

​Os arautos que tentam agora usar a tragédia do Kristin para justificar esta reforma demonstram falta de sensibilidade. 

Foi um evento meteorológico sem precedentes e de previsão quase impossível; usá-lo como arma política é oportunismo.


​O mesmo padrão observa-se agora nos "baronetes" regionais portugueses. O interesse parece resumir-se ao controlo financeiro: adjudicações a amigos e cargos para os aparelhos partidários. Em vez de termos 200 bombeiros profissionais todo o ano, preferem o jogo da exigência constante ao poder central.

 Onde termina esta caminhada? Numa independência subsidiada por interesses externos?

​Gostaria de conhecer o plano real destes senhores para o crescimento demográfico e económico regional do país, para além da eterna chantagem política sobre o orçamento de Lisboa.



Ideais versus causas. A crise da Democracia.

​Deputados em lista, como desvio à validade democrática. ​A Esquerda, da qual fiz parte, com orgulho e moralmente, de arma na mão ...