A dívida pública é dividida em "pedaços" chamados Títulos do Tesouro ou Obrigações. Quem os compra é que é o credor.
Fundos de Pensões e Seguradoras:
São os maiores donos da dívida mundial.
Quando você desconta para a sua reforma ou paga um seguro de vida, esse dinheiro não fica parado num cofre; as empresas investem-no em dívida pública por ser considerada segura.
Ou seja: o governo pode estar a dever-lhe a sua futura reforma.
Bancos Comerciais: Os bancos usam os depósitos dos clientes para comprar títulos do Estado. Isto ajuda-os a ter ativos que rendem juros "garantidos"
Investidores Privados e Cidadãos Comuns: Qualquer pessoa pode comprar Certificados de Aforro ou Obrigações do Tesouro. Nestes casos, o Estado deve diretamente aos seus cidadãos.
Bancos Centrais: Nos últimos anos (especialmente desde a crise de 2008 e a pandemia), os Bancos Centrais (como o Banco de Portugal/BCE) passaram a comprar muita dívida dos seus próprios países para injetar dinheiro na economia.
Fundos Soberanos e Outros Países: Existem países que têm "dinheiro a mais" (como a China, devido às exportações, ou a Noruega e Arábia Saudita, devido ao petróleo).
Eles compram dívida de outros países (como os EUA ou Portugal) como forma de guardar as suas poupanças.
2. O Grande "Loop" Financeiro
A confusão mental acontece porque pensamos na dívida pública como uma dívida entre vizinhos.
Mas na economia global, a dívida funciona mais como um sistema de circulação sanguínea:
- O Estado pede dinheiro para construir escolas ou pagar salários.
- Um Fundo de Pensões empresta esse dinheiro.
- O Estado paga juros ao Fundo.
- O Fundo usa esses juros para pagar a reforma ao cidadão que, por sua vez, paga impostos ao Estado.
3. Mas então, como é que todos podem estar endividados ao mesmo tempo?
Imagine que existem 3 pessoas: A, B e C.
A deve 10€ a B.
B deve 10€ a C.
C deve 10€ a A.
Todos estão endividados, mas o sistema continua a funcionar porque o dinheiro está em movimento.
O problema só surge quando alguém deixa de acreditar que o outro vai pagar (a crise de confiança).
Resumo: O "Dono" da Dívida
Se somarmos tudo, cerca de 80% da dívida mundial está em mãos privadas (bancos, fundos e pessoas como eu e você). Os governos não devem uns aos outros num sistema fechado; devem ao sistema financeiro global que, por sua vez, é alimentado pelas poupanças e investimentos de todos nós.
Mas... quem ganha com a circulação da dívida? Os bancos! Ganham sempre!