O Paradoxo de Ormuz: Orgulho, Sangue e Geopolítica
O que fará com que centenas de milhares de pessoas acorram ao funeral de um ditador teocrático?
À primeira vista, o cenário é incompreensível.
Falamos do líder de uma teocracia de moldes medievais, marcada pela total subordinação da mulher, perseguição implacável à homossexualidade e aplicação arbitrária da pena de morte.
Um regime que arrasta o país para o abismo económico — com uma inflação asfixiante de 88%, taxas de juro a 22% e um desemprego real mascarado pelos números oficiais — e que, ainda em janeiro de 2026, foi acusado de assassinar a sangue frio 42.000 manifestantes.
A resposta para este aparente contrassenso reside no orgulho nacional instrumentalizado.
(Caberá aqui referir que "orgulho nacional" é, globalmente, indefinido portanto, manipulável conforme o interesse circunstancial do poder.)
Este fervor popular surge como uma reação direta aos ataques cirúrgicos e destrutivos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, que desmantelaram os locais onde o regime alegadamente enriquecia U^{235} a níveis militares com o objetivo declarado de destruir o Estado de Israel.
A Assimetria do Conflito e a Arma Geográfica
Militarmente encurralados e com as suas infraestruturas nucleares devastadas, os teocratas "redescobriram" a vulnerabilidade do Ocidente através da geografia, focando as suas atenções no estratégico Estreito de Ormuz.
Munidos apenas de rampas móveis de mísseis e táticas de guerra assimétrica, os líderes extremistas ameaçam agora afundar qualquer navio mercante que tente atravessar aquela via vital, exigindo, na prática, um tributo de pirataria moderna para permitir o fluxo do comércio global.
O grande catalisador desta crise foi, em larga medida, a postura de Donald Trump.
Ao rasgar o acordo nuclear assinado na era Obama — transformando a diplomacia internacional em objeto de chacota universal — Trump iniciou um conflito sem antecipar o seu desfecho de longo prazo.
Um contraste gritante: enquanto a administração americana cortou os fundos da USAID, um orçamento anual regular de 30 a 34 mil milhões de dólares, servindo para financiar programas de saúde global, assistência humanitária, segurança alimentar e consolidação democrática em mais de 100 países, gastou mais de 25 mil milhões de dólares em munições de curto alcance no ataque ao Irão.
A infantilidade de Trump, a sua obsessão anti-Obama, a sua egocêntria conceção do mundo, a sua fanática venalidade por dinheiro, a óbvia sociopatia, colocam o mundo e a civilização ocidental em grande perigo!
Trump, que iniciou este conflito, que não antecipou a sua conclusão, que tentou fazer do protocolo JCOPA, de Obama com o Irão chacota universal, acaba expondo a fraqueza militar do Ocidente às realidades geográficas e humanas do Oriente, despoletando mais vinganças e ódios adormacidos, radicalizando elementos da diáspora muitos trabalhando no Ocidente.
Trump é um risco para o mundo!