quinta-feira, 18 de junho de 2026

A esquerda é, acreditem, corrupta!



​Estou exausto de observar como a narrativa mediática dominante — estruturalmente dependente de grandes grupos económicos e financeiros — molda a perceção pública sobre a corrupção. 

Ao longo das últimas décadas, assistimos a uma cobertura desproporcional e persistente dos desvios éticos e financeiros de políticos de esquerda, transformando o escrutínio legítimo em autênticas campanhas de desgaste. 

Em Portugal e em Espanha, a política de esquerda tem sido, sistematicamente, tambor para as baguetes mediáticas.

​No entanto, quando olhamos para os grandes colapsos financeiros e desfalques bancários operados por grandes capitalistas, a abordagem muda drasticamente. 

Falamos de verbas astronómicas que foram socializadas (pagas com o dinheiro dos contribuintes), mas cujas responsabilidades criminais foram diluídas em narrativas abstratas sobre "crises do sistema bancário em geral"..

Os nomes dos decisores privados envolvidos raramente recebem o mesmo grau de linchamento público mediático ou a mesma personalização obsessiva dada aos protagonistas políticos.

​Deste duplo critério mediático — muitas vezes blindado pelo argumento da "liberdade de imprensa" — resulta um subproduto perigoso: 

A erosão da confiança pública na política e nas instituições democráticas!

Ao focar a indignação popular predominantemente na classe política (e com particular afinco na esquerda), abre-se um vazio representativo. 

É precisamente desse descontentamento capitalizado que se alimentam as forças populistas e a extrema-direita, que se apresentam como "antissistema", omitindo que defendem, afinal, o mesmo modelo económico desregulado.

​Para repor a verdade histórica e analítica dos últimos vinte anos, importa cruzar os dados da realidade:


​Em Portugal

  • Pela Direita e Grande Capital (Macro-financeiro)
  • Universo Espírito Santo (BES/GES): A acusação do Ministério Público calculou os prejuízos globais do colapso do grupo em cerca de 11,8 mil milhões de euros. Só o Fundo de Resolução e as injeções públicas subsequentes no Novo Banco custaram milhares de milhões aos contribuintes.

  • BPN (Banco Português de Negócios): O Tribunal de Contas estima que o custo acumulado da nacionalização e da gestão dos ativos tóxicos (através da empresa pública Parvalorem) já ultrapassou os 5,9 mil milhões de euros de dinheiros públicos, havendo o risco de o buraco final ascender a perto de 10 mil milhões de euros até ao encerramento total do processo.

  • Pela Esquerda (Esfera Política):

  • Operação Marquês (José Sócrates): No epicentro do caso, o Ministério Público acusou o ex-Primeiro-Ministro de acumular uma fortuna oculta na Suíça (através de testas-de-ferro) avaliada em cerca de 24 milhões de euros, alegadamente proveniente de subornos e luvas de grupos económicos (como o Grupo Lena e o Grupo Espírito Santo). O pedido global de indemnização cível ao Estado imputado a vários arguidos do processo foi fixado em 58 milhões de euros.
0u seja: 22.000.000.000 (22 mil milhões) a' direita, 58.000.000 (58 milhões a' esquerda. 

Cerca de 380 vezes menos!

Em Espanha

  • Pela Direita e Grande Capital (Macro-financeiro):

  • Caso Gürtel e Papéis de Bárcenas: 
  • Embora a contabilidade paralela ("Caixa B") do Partido Popular envolvesse alguns milhões de euros em subornos diretos, a justiça confiscou só ao extesoureiro Luis Bárcenas mais de 48 milhões de euros ocultos em contas na Suíça. O impacto sistémico na contratação pública fraudulenta e favorecimento de empresas privadas é estimado em dezenas de milhões de euros.

  • Caso Bankia (Resgate Bancário): No plano do grande capital financeiro gerido pela direita (Rodrigo Rato), o colapso e subsequente resgate público da Bankia custou ao Estado espanhol mais de 22 mil milhões de euros, dos quais a esmagadora maioria nunca foi recuperada pelo erário público.

  • Pela Esquerda (Esfera Política):

  • Caso dos ERE na Andaluzia (PSOE): O maior escândalo judicial da esquerda espanhola envolveu a criação de um sistema ilegal de distribuição de ajudas sociolaborais. 
  • A sentença judicial definitiva fixou o montante total do fundo fraudulento desviado das contas públicas em 680 milhões de euros, distribuídos ao longo de uma década por empresas em crise, autarcas e redes clientelares.

Ou seja, 22.048.000.000 à

Direita, 680.000.000 à Esquerda. 

Ou seja, 32 vezes inferior.

Mas crime é crime! Seja 1 cêntimo, seja 1 milhão. 
Porém, a Direita exagera!

​Em suma, a corrupção deve ser combatida sem olhar a quadrantes ideológicos. 

Contudo, enquanto o ecossistema mediático continuar a hiperbolizar os desvios da esfera pública e a anestesiar ou despersonalizar a pilhagem económica operada pela elite financeira, a democracia continuará a sofrer de uma assimetria perigosa


O populismo não cresce no vácuo; cresce na sombra de uma indignação seletiva promovida sistematicamente pelos media!




domingo, 14 de junho de 2026

Mundo louco!




Até a década de 1970, o mundo conhecia essencialmente uma forma jurídica de domínio territorial pela força das armas: a pátria soberana.

​Tudo mudou em 1979, quando fanáticos xiitas derrubaram o regime pró-ocidental do Xá da Pérsia, Mohammad Reza Pahlavi, e instalaram a única teocracia do século XX: o Irão. 

Seguiram-se milhares de reforços nas avenidas de Teerão e todo o tipo de atrocidades medievais contra iranianos pró-Pahlavi — ironicamente em nome de Alá, o mesmo Deus dos cristãos.

Inspirado pela estratégia de contaminação ideológica e militar levada ao cabo por Moscovo durante a Guerra Fria, Teerão desenvolveu uma ideia igualmente eficaz: a criação de proxies (forças subalternas).

​Estas forças são ocultas, ilegais, financiadas e comandadas à distância. Não usam uniforme, não têm pátria nem práticas de educação ou saúde para com o povo com o qual se misturam — embora recebam subsídios de organizações como a ONU, a União Europeia e os EUA - desviando esses apoios humanitários para fins bélicos os quais, são a sua, única, razão existencial.

Operaram a partir de quartéis construídos camufladamente em infraestruturas civis alheias, sob o máximo sigilo e sempre com o patrocínio silencioso do Irão.

O grande nó cego reside no fato do Direito Internacional ter sido desenhado para Estados, omitindo a figura de  "procuradores" em território estrangeiro. 

Embora sejam classificados como terroristas pela ONU, o fato de não usarem farda, se misturarem com a população civil e ocultarem seu arsenal, impede que os exércitos tradicionais das democracias consigam combatê-los através de métodos convencionais.

Este vazio legal no Direito Internacional tornou-se o argumento preferido dos "quinta-coluna" — os comentadores avençados por Teerão que inundam os ecrãs de televisão.

​A hipocrisia do sistema é evidente: 

As pátrias e Estados legítimos constam no Direito Internacional e, por isso, são severamente condenados sempre que violam as regras ao responder a estes grupos.

Em contrapartida, como pouco importante estes proxies :

  • ​Violam sistematicamente os direitos humanos;
  • ​Operam à margem de qualquer legalidade internacional;
  • ​Usam as populações que controlam como escudos humanos e referências;
  • ​Praticam raptos, infanticídios e outras obscenidades de guerra.

A comunidade internacional prefere refugiar-se na conveniência de uma omissão de lei obsoleta, projetada apenas para o confronto entre Estados, fechando os olhos à natureza desses grupos terroristas. 

O crime sai impune!

Enquanto isso, as redes de propaganda  robotizadas vão normalizando o terrorismo na opinião pública, explorando a tragédia de crianças mortas, omitindo a responsabilidade dos próprios grupos que os usam como mártires

O objetivo final é claro: semear a incompreensão e a dúvida, atiçando raivas e fraturando o Ocidente por dentro.



quarta-feira, 10 de junho de 2026

Central nuclear versus eólicas e fotovoltaicas

Vamos usar como referência uma central nuclear média moderna de 1.000 MW (1 GW) de potência.

​O Fator de Capacidade (A dependência)

​Antes dos números, este é o gráfico mental da eficiência de cada fonte:

  • Central Nuclear: Funciona cerca de 90% do tempo.
  • Parques Eólicos: Funcionam, em média, 35% do tempo (dependendo do vento).
  • Painéis Solares: Funcionam, em média, 20% do tempo (dependendo do sol e da noite).

​Isso significa que para substituir 1 MW de energia nuclear, precisamos de muito mais de 1 MW de capacidade instalada eólica ou solar.

Central Nuclear vs. Centrais Eólicas

​Vamos usar como referência uma central nuclear média moderna de 1.000 MW (1 GW) de potência.

Pela potência bruta: Uma central eólica de 1.000 MW equivaleria a cerca de 333 aerogeradores.

(Cada gerador eólico 3000w=3Mw.)

Pela energia real gerada (ajustada pelo fator de capacidade):

1000 MWx 0.90 / 3 MWx 0.35 = (10⁹x0,9/3x10⁶x0,35) = 857 aerogeradores

Resultado: 1 central nuclear produz a energia equivalente a cerca de 860 aerogeradores de grande porte

Se agruparmos estes aerogeradores em parques eólicos médios (de 50 MW cada), precisaríamos de aproximadamente 17 centrais/parques eólicos.

Central Nuclear vs. Painéis Fotovoltaicos

​Considerando um painel solar padrão residencial/comercial de 400 W (0,0004 MW):

Pela potência bruta: Precisaríamos de 2.500.000 painéis.

Pela energia real gerada (ajustada ao fator de capacidade):

1000MW x 0,90 / 0,0004 x 0,20= 11.250.000 painéis


Resultado: 

1 central nuclear produz o equivalente a cerca de 11,2 milhões de painéis solares

Em termos de área, isso cobriria facilmente uma extensão de 20 a 25 quilómetros quadrados de parques solares lineares.

Embora seja admissível a colocação de 17 centrais eólicas, parece impraticável - nesta fase evolutiva dos painéis solares - admitir áreas tão extensas para a sua instalação.





domingo, 7 de junho de 2026

A UNIÃO FAZ A FORÇA !


​Se houve uma grande prova de que a união faz a força, foi a resposta à crise pandémica: as vacinas chegaram a tempo e a valores acessíveis porque a União Europeia avançou com uma compra conjunta de milhões de doses para todos os Estados-membros.

​Dessa experiência colhemos uma lição económica inquestionável: quanto maior é a escala da encomenda, mais rápida é a entrega e menor o preço por unidade. 

Se Portugal tivesse tentado negociar sozinho, teria ficado no fim da fila e pago um preço astronómico. 

A lógica inversa também se aplica: o isolamento gera respostas lentas, ineficientes e caras.

​Se este modelo resultou para a saúde pública, a conclusão lógica e legítima é aplicá-lo a outras áreas estratégicas.

Por que razão não existe um organismo europeu centralizado para a aquisição de material militar? O preço e o prazo de entrega de caças — preferencialmente de fabrico europeu — seriam drasticamente reduzidos.

​Contudo, nos Ministérios da Defesa de cada país da UE, o que assistimos é a um 'cada um por si' numa corrida irracional. 

Muitas vezes, o conceito de 'defesa da pátria' é instrumentalizado para justificar contratos opacos, derrapagens financeiras e o enriquecimento de intermediários, tudo à custa dos impostos dos cidadãos.

​Um exemplo flagrante desta falha de visão comunitária é a opção nacional de compra dos caças F-35 aos EUA.

Trata-se de um luxo anti-europeu. 

Ao canalizarmos investimentos massivos para fora do bloco, enfraquecemos a indústria de defesa europeia e adquirimos aeronaves de ataque em quantidades limitadas, desalinhadas com um verdadeiro interesse comunitário de defesa e cooperação autónoma.

​A soberania europeia e a gestão responsável do dinheiro público exigem que deixemos o isolamento e apliquemos, de uma vez por todas, o princípio de que juntos somos mais fortes, mais rápidos e mais eficientes!



segunda-feira, 1 de junho de 2026

Ministra da saúde?


A escolha e o apoio de Montenegro à atual líder do Ministério da Saúde — figura que transitou técnica e diretamente da direção de Assuntos Externos e Acesso ao Mercado da multinacional MSD Portugal (indústria farmacêutica , entre 2006 e 2014) — levanta sérias questões éticas, agravadas por uma gestão já amplamente contestada. 

Estaremos perante um Ministério da tutela pública ou um bastião de interesses das farmacêuticas?

Esta nomeação adensa o ceticismo gerado pela promessa de reestruturação do SNS em escassos 60 dias. 

Sem, inclusivé, a apresentação de um plano estruturado e transparente, assiste-se hoje ao agravamento sistêmico dos serviços de saúde.


O problema, contudo, é mais profundo e corrói a nossa arquitetura constitucional:

Que qualidade democrática resta quando o incumprimento deliberado de promessas eleitorais goza de total impunidade? 

Vivemos num modelo onde o Governo, enquanto órgão executivo não eleito diretamente, pode ser preenchido por individualidades cujos passados, conflitos de interesses e escrutínio público permanecem opacos para o eleitor. 

Urge rever as regras do jogo se quisermos devolver a transparência ao sistema e resgatar a confiança na vida coletiva.








quarta-feira, 27 de maio de 2026

Aeroporto Luís de Camões


A estimativa de custo para o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) — batizado como **Aeroporto Luís de Camões**, no Campo de Tiro de Alcochete — sofreu uma evolução e tanto nos últimos anos. Os valores foram saltando à medida que os estudos técnicos avançavam e a concessionária (ANA/Vinci) apresentava os seus relatórios oficiais ao Governo.
A evolução cronológica dos valores estimados para a infraestrutura aeroportuária pura (excluindo os acessos) desenha o seguinte cenário:

Linha Temporal das Estimativas de Custo

- Estudos Iniciais da CTI
*2023 - Maio 2024*
A Comissão Técnica Independente (CTI) apontava para um custo inicial de 6,1 mil milhões de euros para a construção de duas pistas em Alcochete, com capacidade de expansão. Quando o Governo Montenegro confirmou a decisão em maio de 2024, este era o valor base de referência.

- Relatório Inicial da ANA
*Dezembro 2024*
A ANA – Aeroportos de Portugal entregou o seu plano oficial ao Executivo, revendo substancialmente a estimativa em alta devido ao aumento do custo de mão de obra e materiais. O valor passou a fixar-se na fasquia dos 8,5 mil milhões de euros (um salto de quase 40% face ao estudo da CTI).

- O Debate do Custo de Oportunidade
*Abril 2025*
Surgiram análises macroeconómicas e debates políticos que elevaram a discussão para os 30 mil milhões de euros. 
É crucial notar que este valor não é o preço dos tijolos e pistas, mas sim uma estimativa do prejuízo ou custo global para o Estado ao aceitar prolongar a concessão à Vinci por mais 30 anos (abrindo mão de lançar um novo concurso internacional em 2062).

O que justifica esta variação?
Existem três fatores centrais que explicam por que os números parecem mudar de fisionomia conforme quem fala:

Custos de Construção Reais (8,5 mil milhões €):
É o orçamento estrito apresentado pela ANA em janeiro de 2025 para colocar o aeroporto a funcionar (previsto para meados de 2036/2037). A inflação no setor da construção civil e a escassez de mão de obra inflacionaram os 6,1 mil milhões originais.

 Modelo de Financiamento
A ANA propôs que a obra custe "zero" diretos ao Orçamento do Estado em troca do aumento das taxas aeroportuárias e da **extensão da concessão por 30 anos**.

Custos de Contexto (O "Tudo Incluído"): 
Os valores que circulam acima dos 8,5 mil milhões englobam as obras públicas complementares e obrigatórias para que o aeroporto faça sentido, como a **Terceira Travessia do Tejo (TTT)** e as ligações rodoferroviárias (Alta Velocidade), que são tuteladas pelo Estado e não pela concessionária.

domingo, 24 de maio de 2026

Recordando...



Recordo os meus tempos de liceu: durante cinco anos letivos, convivi com dois colegas homossexuais na mesma turma. 

Diariamente, nos intervalos entre aulas, cerca de quarenta alunos percorriam os longos corredores e escadarias do edifício.

​Nesses trajetos, um grupo de 'bandalhos' — hoje diríamos bullies — insultava-os com palavrões e obscenidades físicas, numa exibição de virilidade tão ruidosa quanto imbecil e frágil. 

Eu assistia a tudo com silêncio cobarde, típico dos fisicamente débeis — uma passividade que, na política, se traduz por fraqueza psicológica — embora sentisse uma irritação constante e consciente.

​Numa sociedade composta maioritariamente por pessoas como eu, penso, a comunidade homossexual encontrou na união a sua força. Felizmente, enquanto grupo, conquistaram solidariedade e respeito.

Contudo, se pretendem manter o apoio desta maioria silenciosa, deveriam evitar a atuação ostensiva como lobby social em setores como a televisão, a moda ou a diplomacia. 

Esse excesso de exposição corre o risco de reativar antigos preconceitos e de suscitar comportamentos que julgávamos ultrapassados.






A esquerda é, acreditem, corrupta!

​Estou exausto de observar como a narrativa mediática dominante — estruturalmente dependente de grandes grupos económicos e financeiros — ...