Se houve uma grande prova de que a união faz a força, foi a resposta à crise pandémica: as vacinas chegaram a tempo e a valores acessíveis porque a União Europeia avançou com uma compra conjunta de milhões de doses para todos os Estados-membros.
Dessa experiência colhemos uma lição económica inquestionável: quanto maior é a escala da encomenda, mais rápida é a entrega e menor o preço por unidade.
Se Portugal tivesse tentado negociar sozinho, teria ficado no fim da fila e pago um preço astronómico.
A lógica inversa também se aplica: o isolamento gera respostas lentas, ineficientes e caras.
Se este modelo resultou para a saúde pública, a conclusão lógica e legítima é aplicá-lo a outras áreas estratégicas.
Por que razão não existe um organismo europeu centralizado para a aquisição de material militar? O preço e o prazo de entrega de caças — preferencialmente de fabrico europeu — seriam drasticamente reduzidos.
Contudo, nos Ministérios da Defesa de cada país da UE, o que assistimos é a um 'cada um por si' numa corrida irracional.
Muitas vezes, o conceito de 'defesa da pátria' é instrumentalizado para justificar contratos opacos, derrapagens financeiras e o enriquecimento de intermediários, tudo à custa dos impostos dos cidadãos.
Um exemplo flagrante desta falha de visão comunitária é a opção nacional de compra dos caças F-35 aos EUA.
Trata-se de um luxo anti-europeu.
Ao canalizarmos investimentos massivos para fora do bloco, enfraquecemos a indústria de defesa europeia e adquirimos aeronaves de ataque em quantidades limitadas, desalinhadas com um verdadeiro interesse comunitário de defesa e cooperação autónoma.
A soberania europeia e a gestão responsável do dinheiro público exigem que deixemos o isolamento e apliquemos, de uma vez por todas, o princípio de que juntos somos mais fortes, mais rápidos e mais eficientes!
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