A Nova Cadeia Trófica Corporativa
Por cadeia trófica entendemos, de forma simples, que o animal maior come o menor. No mundo do emprego, a lógica sempre foi a mesma.
Ao longo da história, os computadores, a robótica e, agora, a Inteligência Artificial têm sido as "grandes bocas" das administrações, utilizadas para engolir os animais mais pequenos — a força de trabalho operacional. Mas isto é apenas o ecossistema atual.
A verdade é que a IA está a transformar-se na "superboca" que irá devorar tudo.
Neste momento, já ninguém duvida de que a IA é infinitamente mais capaz do que qualquer gestor para, numa fração de segundo, processar volumes massivos de dados, cruzar estatísticas, analisar concorrência, prever flutuações de mercado e desenhar projeções. Em suma: faz mais, faz tudo, melhor e muito mais depressa.
Chegará o dia em que o grande capital e os acionistas perceberão — e com toda a razão financeira — que os salários e bónus astronómicos pagos aos administradores são um investimento redundante e caríssimo. Afinal, qualquer profissional com conhecimentos intermédios, apoiado por uma IA de topo, tomará decisões estratégicas muito mais precisas e fundamentadas.
Poderá tardar, mas acontecerá. A própria administração que alimentou a tecnologia para substituir a base acabará por ser a caça. Na evolução do mercado, nenhum predador está a salvo de se tornar a presa do algoritmo.