Recordo os meus tempos de liceu: durante cinco anos letivos, convivi com dois colegas homossexuais na mesma turma.
Diariamente, nos intervalos entre aulas, cerca de quarenta alunos percorriam os longos corredores e escadarias do edifício.
Nesses trajetos, um grupo de 'bandalhos' — hoje diríamos bullies — insultava-os com palavrões e obscenidades físicas, numa exibição de virilidade tão ruidosa quanto imbecil e frágil.
Eu assistia a tudo com silêncio cobarde, típico dos fisicamente débeis — uma passividade que, na política, se traduz por fraqueza psicológica — embora sentisse uma irritação constante e consciente.
Numa sociedade composta maioritariamente por pessoas como eu, penso, a comunidade homossexual encontrou na união a sua força. Felizmente, enquanto grupo, conquistaram solidariedade e respeito.
Contudo, se pretendem manter o apoio desta maioria silenciosa, deveriam evitar a atuação ostensiva como lobby social em setores como a televisão, a moda ou a diplomacia.
Esse excesso de exposição corre o risco de reativar antigos preconceitos e de suscitar comportamentos que julgávamos ultrapassados.
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domingo, 24 de maio de 2026
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