sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Zelensky e a corrupção na Ucrânia


Tem a sua graça. 
Dá que pensar.

Ucranianos descem à rua porque as duas agências de combate à corrupção ucranianas teriam sido - por suspeita de envio de informações para os russos a partir delas - colocadas sob o controle do procurador-geral ucraniano, nomeado pelo presidente.

Aparentemente, o homem que diariamente dá a cara, a paz familiar e ânimo a uma guerra desigual há três anos e meio, pode ser corrupto...

Porém tal como surpreendeu Putin, Zelensky surpreendeu os ucranianos e, especialmente os media ocidentais. Como?

Zelensky afirma que irá colocar sob o escrutínio do polígrafo os funcionários familiares de russos que ocupam postos nessas duas instituições...

À parte de ser apenas familiares de russos os visados,  TODOS entenderam que a dificuldade iria ser bem resolvida!

A multidão regressou a casa e os media calaram-se.

Até quando a instalação desses sistemas em países repletos de dúvidas e ditos corruptos?

O FBI e a CIA fazem-no desde 1939...


quinta-feira, 31 de julho de 2025

A dissuação da força.


Acordo, febril, com o estrondo das labaredas na tv, mais um incêndio florestal. 

Ontem, ouvi alguém lamentar outro fogo, iniciado às 21h30, quando o sol já se punha e o calor diminuía. 

Li que cerca de 85% dos incêndios são propositadamente provocados. 

Os media focam-se nos fogos na UE e nos EUA, mas onde estão as reportagens sobre incêndios de grande magnitude na África, Rússia, China ou Índia?

A memória falha. As labaredas parecem serem exclusivas de regimes democráticos...

Outro barulho me incomoda, além da febre: o trânsito incessante na 2ª circular. 

E então, um pensamento: por que incendiários, loucos, assassinos, com todas as suas paranóias, nunca arriscam atravessá-la?

Parece que planeiam e encobrem seus atos tresloucados, e nunca cruzam a 2ª circular. 

Talvez entendam que no fogo-posto o risco é mínimo; as penas são brandas, reduzidas a metade, e como não têm recursos, não arriscam prejuízos. 

Mas atravessar a 2ª circular significa arriscar a vida; se não morrem, provavelmente ficarão num hospital, com ossos quebrados.

A loucura tem limites, e esse limite é o castigo previsível

As leis e sua aplicação são um convite à impunidade. 

Castigo mínimo para terror máximo!

Como Edmond Burke disse: 

"Para que o mal triunfe, basta que o bem nada faça." 

E o "bem", em Portugal, parece trabalhar para que o mal triunfe.

Aparenta ser útil, mas parece consegui-lo apenas  pela repetida generalização do mal.

Será mais "necessário" e quem representa o "bem" ganhará ainda melhor.

A inação diante da tragédia ecoa mais alto que o barulho das chamas.





quarta-feira, 30 de julho de 2025

Crime colarinho branco (CCB)

Ah, o crime de colarinho branco… essa modalidade olímpica onde se compete não pela medalha, mas pela morosidade dos tribunais e pela arte de desaparecer com milhões sem deixar rasto — ou melhor, deixando rastos suficientes para garantir entrevistas e cargos de consultoria mais tarde.

Tudo começa com o sagrado “princípio da inocência”, essa almofada de penas finas que envolve ternamente os suspeitos — perdão, os injustamente perseguidos — durante décadas.

Enquanto isso, os processos dormitam em estantes ministeriais, como bons vinhos à espera de envelhecer… até prescreverem, claro.

E depois há o maravilhoso mundo dos offshores. 

Ah, que delícia! 

Enviamos cartas, pedidos de colaboração internacional, rogativas com todos os selos e fitas douradas. 

E o que recebemos de volta? Silêncio!

Um silêncio tão profundo que chega a ser poético: "Desculpe, não temos informação sobre o beneficiário final da empresa XYZ Holdings Unlimited...". 

Que surpresa...! 

Nunca ninguém pensou que uma firma chamada “XYZ Holdings” sediada numa ilha de 3 km² não tivesse um dono verdadeiro!

Afinal, quem somos nós para perturbar a liberdade empresarial global? 

Investigar é um abuso, uma castração da liberdade, uma limitação ao enriquecimento visível, fácil, insolente.

Reduzam o IRC que ele precisa aumentar a conta offshore...

E exigir transparência - quando é exigida - é quase um insulto à criatividade dos que conseguem esconder milhões em três tempos com recurso a seis intermediários, uma caixa postal e um advogado com escritório num bungalow.

No fim, o colarinho continua branco, impecavelmente engomado, a desfilar tranquila e desafiante pelos corredores do poder exemplificando com enriquecer sem consequências sensíveis, à custa dos patetas que nele votaram ou do amigo (e cúmplice?) nomeado que ele motivou...

A justiça, essa, fica ali no canto… à espera que um dia também ela possa abrir conta num offshore.



sábado, 26 de julho de 2025

Imigrantes e saúde


Não só em Portugal como em toda a Europa, algumas doenças que  ao longo dos anos os europeus foram erradicando, surgem de novo.

É natural, porque nas origens da imigração que a Europa atualmente acolhe, essas doenças são endémicas por  nesses países, os sistemas de saúde serem frágeis ou inexistentes.

A questão que me espanta é: os governos, tão preocupados estão na quantidade de imigrantes que os países acolhem mas, desinteressam-se pela saúde dos mesmos no caso, da vacinação básica.

Qualquer pedido de permanência na Europa só deve ser autorizado após a existência de um boletim de saúde com vacinação actualizada, em nome do requerente.





quinta-feira, 24 de julho de 2025

Futebol


Recordo — com saudade e sem ironia — os tempos em que o SLB e o FCP conquistavam a Europa.

As equipas mantinham os jogadores durante anos, como quem cultiva uma vinha: com tempo, paciência e amor à camisola.

Os adeptos iam ao estádio, compravam bilhetes e, imagine-se, sustentavam os clubes com a sua paixão.

Hoje é outro o campeonato. Literalmente.
Mais de trinta anos depois, os títulos europeus são lendas contadas aos netos.

Os jogos? Estão todos na TV, embrulhados em horas de programas onde ex-jogadores viram filósofos, os canais perseguem autocarros como se fossem carruagens reais e onde se discute, com ar sério, quantas vezes um lateral pisca o olho antes de cruzar.

Os grandes protagonistas? 

Já não são os craques. São os intermediários!

Vendem sonhos, compram ilusões e levam comissões.

Muitas...!

Têm carteiras cheias, clubes com dívidas e uma fé inabalável: a de que a torneira, da alienação, nunca secará...

Há emblemas que trocam de equipa como quem troca ilusões: Uma nova a cada semana.

O dinheiro corre veloz, muitas vezes em direção a sítios onde o sol brilha mais... e os impostos menos.

Gosto de futebol. Ainda.
Do jogo, da bola, do grito espontâneo.

Agora, apaixonar-me por este circo financeiro? 

Obrigado, mas passo. 

Prefiro um jogo entre amigos. Sem VAR...
















domingo, 20 de julho de 2025

Todos comentam...



Toda a gente comenta...
Mas poucos condenam devidamente Ricardo Leão.

Leão é culpado! Não por deitar barracas abaixo mas, POR TER DEIXADO CONSTRUÍ-LAS.

A fiscalização da C.M. Loures deve responder pela omissão, cumplicidade e desleixo na fiscalização dos terrenos do Talude, nos quais deveria saber não ser permitida qualquer construção.

A solução do problema:

Os cerca de mil pedidos de habitação social que Loures, e em muitas outras regiões do litoral do país também têm, parecem ter solução rápida, económica e eficaz.

Claro que não agrada ao loby da construção civil  que, aparentemente, dirige as intenções de investimento governativo e autárquico para habitação. 
Principalmente por isso, temo pela sua pacífica e lógica aceitação.

Existem, em Portugal, casas - vivenda - pré-fabricada, T3, à venda por menos de 40.000€. 

Um terreno público e transportes fáceis, permitiriam à maioria das famílias uma vida e habitação dignas, por custos mínimos, muito distantes das atuais.

A garantia de pagamento da renda ao município seria dada pela entidade patronal do inquilino - suportada por seguro colectivo - através de desconto direto no salário deste, até atingir o total agora pago pelo município, incluindo juros de lei, até ao momento em que totalizasse o custo da casa.

Porque não acontece? 

Provavelmente porque a venda de um apartamento T3 nos arredores de qualquer centro urbano, ainda que de construção "social" custará, no mínimo, 200.000€ à câmara que o adjudicar.

-Adivinhem quem ganha brutalmente com isto? 

-O que obrigará as câmaras a nunca considerarem pré-fabricados?

-Porquê o programa eleitoral de qualquer força política concorrente às autarquias, nunca apresenta o montante de verbas previstas para investimento em habitação social?









sábado, 19 de julho de 2025

TAP versus SNS

 


É do conhecimento geral que "salvar" a Tap implicou uma injeção de 3.200.000.000 €, há alguns meses atrás.

Há cerca de um mês, inaugurou-se um hospital público em Sintra, com construção iniciada há oito anos o qual, segundo vários media, custou 82.000.000 €.

Facilmente se conclui que salvar a Tap custou aos portugueses 39 novos hospitais...

E se esta é importante para manter ativas vários pequenos negócios privados, sem dúvida 39 hospitais seriam inestimáveis para manter vivas e saudáveis milhares de pessoas que pagam, descontando durante toda a vida, para terem assistência médica e tal parece ser caro...


A desculpa oficial de que "não há médicos" é de um cinismo atroz:

Eles existem mas imigram - frequentemente - para o UK para a Alemanha e para hospitais privados nacionais, sem que qualquer destas entidades pague a formação desses clínicos suportada pelos impostos dos portugueses sem qualquer alternativa pecuniária equivalente.

O governo português poderia, se estivesse empenhado, do mesmo modo, recrutar médicos da Europa de leste, América do Sul, Cuba ou África. 

Mas não o faz, provavelmente para não prejudicar interesses privados da saúde que, obviamente, lucram com o deficiente funcionamento do SNS e com o recrutamento gratuito de jovens médicos sem pagarem a formação.

Nunca entenderei porque jovens licenciados em medicina, não pagam aos impostos dos portugueses - por exemplo com empréstimo bancário, facilmente amortizável face aos elevados vencimentos que irão auferir - o montante investido na sua formação e do qual não irão ter qualquer contrapartida.


Ser eleito pelos votos dos portugueses para estar no governo a proteger interesses de negócios privados, à custa dos impostos pagos pelos próprios portugueses, parece-me de um cinismo imperdoável digno do período medieval.






O fosso entre gerações.

Nascido na década de 1950, sinto que a idade não me turvou a memória.  Recordo-me de que, na minha juventude, a Segunda Guerra M...